Por que Fazemos o que Fazemos? Como Mudar?

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Por Que Fazemos o Que Fazemos?Uma Análise Crítica Filosófica da Palestra de Tony Robbins no TED

Antes de tudo, é indispensável reconhecer que a palestra Why We Do What We Do (Por que fazemos o que fazemos, proferida por Tony Robbins no TED) constitui um esforço notável — ainda que polarizador — de compreender os impulsos que moldam o agir humano. Nela, Robbins propõe que a conduta humana não se explica apenas por lógica ou cálculo racional, mas por necessidades emocionais profundas que acionam respostas, hábitos e até destinos inteiros.

Contudo, ao analisarmos filosoficamente essa proposição, somos convidados não apenas a absorver o que é dito, mas a problematizar se a explicação oferecida realmente responde à pergunta — e, mais importante, quais pressupostos antropológicos e éticos estão subjacentes à tese.

Emoção e Razão na Explicação do Agir

Imediatamente, chama atenção a afirmação central de Robbins: “emoção é a força da vida”, eis que não são os pensamentos, mas os estados emocionais que nos conduzem a agir.

Nesse sentido, sua abordagem remete a uma visão do ser humano que se aproxima mais de tradições existencialistas e fenomenológicas do que das estruturas racionais da filosofia clássica. Se pensadores como Søren Kierkegaard e Jean-Paul Sartre insistiram que a condição humana é primeiramente vivida e sentida — e só depois pensada — Robbins faz um movimento semelhante ao colocar a emoção no centro da explicação do agir.

Todavia, essa escolha retórica e psicossocial tem suas limitações. Em termos filosóficos, reduzir todo comportamento à emoção — ainda que legitimamente influente — pode desconsiderar que o humano é também um ser capaz de deliberação crítica, mediação entre fins e reflexão sobre valores. Essa lacuna nos releva à crítica de que a explicação proposta pode ser descritiva (como funcionamos), mas não necessariamente normativa (como deveríamos agir).

As Seis Necessidades Humanas — Um Modelo com Vieses

Subsequente a essa ênfase emocional, Robbins apresenta as seis necessidades humanas universais:

  1. Certeza
  2. Incerteza/Variedade
  3. Significância
  4. Conexão/Amor
  5. Crescimento
  6. Contribuição

Seguindo essa tipologia, ele pretende indicar que todos nós partilhamos tais necessidades, embora cada pessoa as valorize de modo distinto — e é esse filtro que molda a direção da vida.

Filosoficamente, esse modelo encontra ressonância com teorias antropológicas normativas — como a hierarquia de necessidades de Abraham Maslow — embora Robbins a interprete com foco mais prático e motivacional.

Apesar disso, a reivindicação de universalidade merece cautela:

  • Primeiro, porque pressupõe que toda vida humana compartilha uma mesma estrutura de motivações internas sem consideração suficiente pelas condições culturais, históricas e sociais que configuram os sentidos e valores concretos de um indivíduo.
  • Segundo, porque a busca por significância, por exemplo, pode assumir formas eticamente antagônicas — desde a construção de uma obra humanitária até a violência extrema — sem que o modelo as qualifique moralmente.

Nesse sentido, a explicação de Robbins sobre a necessidade de significância — em que até a violência extrema poderia ser uma expressão dessa necessidade quando mal canalizada — suscita objeções filosóficas: ela naturaliza comportamentos que seriam socialmente e eticamente condenáveis, transformando-os em meras manifestações de uma necessidade humana básica.

Estado, Mapa do Mundo e Destino

Em outro plano, Robbins introduz a ideia de que o “estado” (isto é, a disposição emocional e física) e o “mapa do mundo” (crenças e significados que adotamos) moldam nossas decisões, mais do que circunstâncias externas ou lógica pura. (YTScribe)

Sob a lente filosófica, isso remete a correntes pragmáticas — como William James e a psicologia prática do agir humano — que enfatizam que não somos agentes isolados negociando finais frios, mas sim seres situados, carregando mapas culturais e estruturas de sentimento.

Todavia, a ausência de referência explícita a condições estruturais — como desigualdades sociais, determinantes históricos e instituições — reduz a explicação de Robbins a uma esfera interior que, embora importante, pode ser excessivamente individualista. A filosofia política moderna nos lembra que nem sempre somos livres para escolher ou interpretar arbitrariamente nossos mapas de mundo; muitas vezes, tais mapas são impostos por estruturas econômicas, classes sociais ou sistemas de poder.

O Valor Existencial da Contribuição e do Crescimento

Entre os seis itens propostos, Robbins distingue os quatro primeiros como necessidades da personalidade e os dois últimos — crescimento e contribuição — como necessidades do espírito que conduzem ao que ele chama de realização e satisfação genuínas. (The TEDxClassroomProject)

Essa distinção aproxima-se de reflexões filosóficas sobre eudaimonia (bem-estar humano pleno) que vemos em Aristóteles, assim como nas tradições éticas que sustentam que a vida plena não se encontra apenas na satisfação de apetites ou reconhecimento social, mas no engajamento em um projeto de vida mais amplo e na entrega ao outro.

Não obstante, ainda que inspiradora, essa afirmação precisa ser problematizada:

  • Primeiro, porque a linguagem motivacional de Robbins — que enfatiza crescimento como um meio para mais contribuição — pode inadvertidamente sugerir que toda contribuição só é “verdadeira” se nasce de um desejo individual de satisfação.
  • Segundo, porque a filosofia nos lembra que nem toda contribuição emerge de intenções genuínas: atos de contribuição podem ser impulsionados por ego, imagem social ou até obrigações institucionais — questões que não são suficientemente debatidas no modelo apresentado.

Ainda Que Robbins Seja Inspirador, Ele Não Substitui uma Investigação Filosófica Profunda

Mesmo que a estrutura das seis necessidades ofereça um mapa prático para compreender comportamentos humanos, a abordagem carece de algumas das mais profundas questões que a filosofia há séculos formula sobre o agir humano:

  • O que é verdadeiramente livre em nossas escolhas?
  • Qual é o papel da razão, e não apenas da emoção?
  • Quando um ato motivado por necessidade se torna ético ou antiético?
  • Como responsabilidade social, condições históricas e instituições moldam desejos?

Essas perguntas exigem um diálogo que vá além das lentes psicossociais e motivacionais de Robbins para abarcar também análises éticas, políticas e existenciais.

Conclusão: Uma Ponte Entre Psicologia Popular e Interrogação Filosófica

Finalmente, não se pode negar que a palestra de Tony Robbins ressoa com milhões de pessoas porque toca aspectos fundamentais do viver: a busca por sentido, conexão e contribuição.

No entanto, uma leitura crítica — e especialmente uma leitura que dialogue com a tradição filosófica — revela tanto os méritos quanto as limitações do seu enfoque:

  • Mérito, por sublinhar que somos mais que máquinas racionais e que nossas emoções e necessidades moldam nossa vida.
  • Limitação, por não problematizar suficientemente o contexto social, histórico e ético em que tais necessidades se manifestam.

Desse modo — e para qualquer leitor que deseje compreender verdadeiramente por que fazemos o que fazemos — é necessário percorrer a ponte que Robbins aponta e, ao mesmo tempo, cruzar o abismo das perguntas filosóficas fundamentais que o humano ainda se coloca desde os primórdios do pensamento.

Se o TED Talk de Robbins é um ponto de partida, a filosofia é o caminho que nos ajuda a responder — não apenas sentir — por que fazemos o que fazemos.

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