Essencialismo: Como a Disciplinada Busca por Menos Garantiu meu Mestrado e meu Primeiro Livro
Por Carla Ribeiro | Leitura estimada: 8 minutos
Você sente que está constantemente ocupado, mas pouco produtivo? Sente que seu tempo está sendo sequestrado pelas agendas de outras pessoas? Se você respondeu “sim”, você não precisa de mais tempo. Você precisa de Essencialismo.
No mundo da Alta Performance, existe um mito perigoso: a ideia de que para ter sucesso, precisamos fazer tudo, estar em todos os lugares e dizer “sim” para todas as oportunidades.
Como especialista em comportamento humano e atleta de nível mundial, posso afirmar: essa é a receita perfeita para a mediocridade e o esgotamento.
Neste artigo, não vou apenas resumir o best-seller “Essencialismo” de Greg McKeown. Vou mostrar, na prática, como utilizei esta metodologia para sobreviver a uma das fases mais desafiadoras da minha vida: conciliar a gestão de um grande projeto social, meus treinos de Artes Marciais e um Mestrado em Sociologia na exigente Universidade de Brasília (UnB).
O resultado? Uma aprovação com louvor, a recomendação de um dos maiores sociólogos do país e a publicação do meu primeiro livro.
O Que é Essencialismo? (E o que não é)
Antes de entrarmos na estratégia, precisamos alinhar o conceito. Muitas pessoas confundem essencialismo com “fazer menos coisas para descansar mais”. Não é sobre isso.
“O Essencialismo não é sobre fazer mais em menos tempo. É sobre fazer apenas as coisas certas.” — Greg McKeown
O Essencialismo é uma disciplina sistemática para discernir o que é trivial do que é vital, eliminando tudo que não é essencial para que possamos dar a nossa maior contribuição naquilo que realmente importa.
A Diferença entre o Não-Essencialista e o Essencialista
| O Não-Essencialista | O Essencialista |
|---|---|
| Pensa: “Eu tenho que fazer tudo.” | Pensa: “Eu escolho fazer isso.” |
| Reage ao que é mais urgente. | Foca no que é mais importante. |
| Vê tudo como oportunidade igual. | Distingue as poucas coisas vitais das muitas triviais. |
| Diz “sim” a todos sem pensar. | Diz “não” a quase tudo, para dizer um grande “sim” ao que importa. |
| Sente-se sobrecarregado e exausto. | Sente-se no controle e realizado. |
Se você se identificou com a coluna da esquerda, a estratégia que usei abaixo foi desenhada para você.
Estudo de Caso Real: O Essencialismo no “Tatame” Acadêmico
A teoria é linda, mas o campo de batalha é onde a verdade aparece. Quero compartilhar minha experiência pessoal de aplicação radical do Essencialismo.
O Cenário do Caos
Houve um momento na minha carreira em que a equação parecia impossível. Eu tinha três grandes pratos girando simultaneamente:
- Carreira de Atleta: Treinos intensos de Karate e Kickboxing visando campeonatos.
- Gestão Social: Coordenava um grande projeto social no Distrito Federal, lidando com centenas de vidas que dependiam da minha liderança.
- Desafio Acadêmico: Havia decidido cursar o Mestrado em Sociologia na UnB (Universidade de Brasília), conhecida pelo rigor acadêmico.
Um “Não-Essencialista” tentaria manter o ritmo em tudo. O resultado seria óbvio: performance medíocre nos treinos, gestão falha no projeto e uma dissertação fraca (ou o abandono do curso).
Eu precisava fazer uma escolha. E o Essencialismo exige trade-offs (trocas).
A Estratégia do “Menos, Porém Melhor”
Para vencer, precisei aplicar o conceito de foco extremo. Tomei a difícil decisão de diminuir temporariamente o ritmo dos meus treinos de competição. Para uma atleta de ponta, isso dói. Mas eu entendi que, naquele ciclo de vida, o Mestrado era a prioridade vital.
Com o tempo “liberado” dos treinos e otimizado da gestão social, foquei 100% na minha dissertação. Mas não parei por aí. Apliquei uma tática que chamo de “Alinhamento 80/20”.
O Princípio de Pareto (80/20) diz que 80% dos resultados vêm de 20% das ações. Percebi que muitos mestrandos perdiam tempo estudando matérias aleatórias que não contribuíam para a tese final.
Minha tática essencialista: Decidi que todas as matérias que eu cursaria precisavam servir à minha dissertação. Não havia espaço para dispersão. Para cada disciplina, eu negociava ou direcionava os trabalhos finais para que se tornassem, efetivamente, um capítulo ou uma base teórica para o meu trabalho final.
Eu não estava apenas “estudando”; eu estava, tijolo por tijolo, construindo a obra final a cada aula.
O Resultado da Disciplina
Essa abordagem focada gerou uma profundidade de pesquisa que eu jamais teria alcançado se estivesse “atirando para todos os lados”.
O resultado validou a metodologia:
- Fui aprovada com louvor na UnB.
- Minha dissertação chamou a atenção do Dr. Pedro Demo, renomado pós-doutor e uma das maiores autoridades em sociologia e metodologia científica do Brasil.
- Por indicação dele, aquele trabalho focado se transformou no meu primeiro livro publicado: “Pobreza Política e Dominação: O caso do caratê brasileiro”.
O Essencialismo não apenas salvou minha saúde mental naquela época; ele elevou a qualidade do meu trabalho a um nível de excelência reconhecida. E é com essa mesma mentalidade que, neste ano, estou finalizando a escrita do meu próximo livro.
3 Passos Para Aplicar o Essencialismo Hoje
Você não precisa estar fazendo um mestrado para aplicar isso. Seja na sua empresa, nos seus lançamentos digitais ou na sua vida pessoal, o processo é o mesmo.
1. Explorar e Avaliar
Antes de sair fazendo, pare. Crie espaço para pensar. O Essencialista gasta mais tempo analisando opções para ter certeza de que vai escolher a batalha certa.
- Pergunta chave: “Se eu não tivesse essa oportunidade/projeto hoje, o quanto eu me esforçaria para consegui-la?”
2. Eliminar o Trivial
Esta é a parte emocionalmente difícil. Dizer “não” a boas oportunidades para focar nas ótimas. Lembre-se do meu caso: reduzir os treinos foi doloroso, mas necessário para o livro nascer.
- Dica: O “não” deve ser firme, mas gracioso. As pessoas respeitam quem tem foco.
3. Executar sem Esforço (Remover Obstáculos)
Depois de saber o que fazer, remova as barreiras. Crie uma rotina que torne a execução automática. No meu caso, alinhar as matérias do mestrado à dissertação removeu o atrito de ter que “começar do zero” a cada nova disciplina.
Conclusão: A Disciplina da Liberdade
O Essencialismo não é um voto de pobreza ou de limitação. É, na verdade, a disciplina da liberdade. Quando você para de tentar fazer tudo, ganha a liberdade de fazer um trabalho extraordinário naquilo que ama.
A alta performance não é sobre volume. É sobre impacto.
Se você sente que sua mente está sabotando seus resultados, ou se a ansiedade de “ter que fazer tudo” está travando seu crescimento, convido você a conhecer mais sobre meu método de Autoconhecimento para Alta Performance.
Afinal, se funcionou nos tatames mundiais e na academia da UnB, pode funcionar para a sua carreira.
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Por Carla Ribeiro.
Carla Ribeiro é Mestre em Sociologia, Tetracampeã Mundial de Karatê e especialista em decisão sob pressão. Criadora do Método CVMD, utiliza na MENTORIA 10X MAIS, a estratégia que já treinou centenas de líderes a escalarem sem colapso.
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